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RESUMO
Possui graduação em Informática, mestrado em Informática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro / NCE (2004) e Doutorado em Ciência da Informação pelo convênio UFF/IBICT (2011). Pós-doutorado em Informática pela UFRJ (2025). Professora associada do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal Fluminense. Tem experiência de mais de 20 anos na área de Informática, projetando, desenvolvendo e mantendo sistemas e gerenciando equipes. Pesquisa os seguintes temas: organização e representação do conhecimento: ontologias, tesauros, taxonomias, modelagem conceitual, tecnologias web, dados interligados abertos, objetos de fronteira. Interesse pelo estudo de:Teoria do Conceito, Teoria da Classificação Facetada, Teoria dos Níveis Integrativos, Teoria dos Objetos de Fronteira, Teorias da Ontologia Formal, aplicações da Inteligência Artificial. Epistemologias plurais na Organização do Conhecimento. |
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PROJETOS
1 - FUNDAMENTOS TEÓRICO-METODOLÓGICOS PARA UMA TEORIA DECOLONIAL DE AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO EM CONTEXTOS INFORMACIONAIS: a construção de ontologias epistemologicamente plurais
Ontologias são ferramentas essenciais para a organização do conhecimento, permitindo estruturar conceitos de forma explícita e formalizada. Enquanto modelos conceituais, são particularmente úteis para facilitar o entendimento entre comunidades com diferentes visões de mundo e epistemologias. Este projeto propõe uma abordagem pluralista para a aquisição do conhecimento em ontologias, reconhecendo a importância de diversas culturas e promovendo o respeito mútuo e a comunicação entre diferentes interpretações da realidade. Busca-se propor os fundamentos de uma teoria decolonial de aquisição do conhecimento voltada para ontologias epistemologicamente plurais. Inclui ainda métodos práticos para aplicar essa teoria, respeitando e integrando saberes plurais sem hierarquizá-los. Como resultados esperados tem-se a formulação de uma teoria e metodologia para aquisição do conhecimento de forma decolonial voltada para ontologias epistemologicamente plurais, e a aplicação da teoria em um acervo a ser definido. O projeto busca explorar como a captura do conhecimento em modelos conceituais como ontologias pode ser utilizada para promover a justiça social e a inclusão, reconhecendo e valorizando as contribuições de diferentes culturas e comunidades, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.
2 - ONTOLOGIAS, GRAFOS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL GENERATIVA NA DETECÇÃO E PREVENÇÃO DE VIESES NA ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Descrição: Os sistemas tradicionais de recuperação da informação, embora consolidados, tendem a reproduzir estruturas de poder e visões hegemônicas (Miranda, 2019), o que prejudica a visibilidade de outras perspectivas de saberes em diversas áreas do conhecimento e reforça a ocorrência de vieses na representação da informação, vieses estes que por vezes se encontram presentes nos próprios documentos dessas áreas. No contexto específico da saúde pública, por exemplo, por vezes se observam vieses racistas no relato e interpretação de dados (Hardeman et al, 2018), sendo que o racismo na saúde não se limita a episódios isolados, mas constitui um processo estrutural que atravessa diferentes dimensões do cuidado (Hamed et al., 2022). Além disso, estudos apontam que vieses implícitos influenciam decisões médicas, resultando em tratamentos inadequados e perpetuando desigualdades. Esses elementos se constituem em evidências que a neutralidade no campo da saúde é ilusória, já que práticas e discursos reproduzem vieses e reforçam desigualdades históricas, o que pode se refletir na descrição de documentos científicos ligados a esta área (Gopal et al., 2021). Nesse contexto, a questão central que se coloca é: em que medida o uso de uma camada com estruturas semânticas de informação pode ajudar a reconhecer e minimizar vieses nos regimes de mediação ontológica e epistêmica produzidos por ferramentas de IA generativa? Considerando-se que a mediação informacional, é, de acordo com Almeida Júnior (2015) um ato intencional e situado e não pode ser concebida como mera transferência neutra de informação, questões secundárias que se colocam são: como avaliar a mediação quando o agente mediador é um sistema de inteligência artificial? E, ainda, como é possível ter algum controle dessa mediação? Embora LLMs não possuam intencionalidade em si, pois não raciocinam e sentem como o ser humano, suas operações produzem efeitos que são equivalentes aos da mediação humana, com a desvantagem que os pressupostos epistemológicos subjacentes a essa mediação não são explicáveis para os usuários nem para os desenvolvedores dos sistemas (Bender; Koller, 2020; Crawford, 2021), podendo refletir vieses que são indesejados.Este projeto tem como objetivo sistematizar e aplicar aportes teóricos da Organização do Conhecimento na integração de ontologias e grafos com IA generativa para prevenir vieses na representação da informação em saúde pública. Nesse contexto, propõe-se analisar como estruturas semânticas desenvolvidas sob uma perspectiva decolonial integradas a técnicas de inteligência artificial generativa, pode contribuir para a detecção e prevenção de vieses nos processos de organização da informação. Para observar essa proposta em sua dimensão aplicada, propõe-se o desenvolvimento de uma aplicação de software que integra ontologia e grafos de conhecimento com técnicas de inteligência artificial generativa para apoiar a sugestão automatizada nas práticas de descrição temática e descritiva em documentos, em um recorte de artigos acadêmicos sobre saúde pública. A proposta envolve a construção de um protótipo de ontologia e do grafo com número reduzido de termos, por questões de viabilidade, o desenvolvimento de um módulo de sugestão de descritores e a implementação de um middleware semântico capaz de validar as saídas do modelo em tempo real com base na ontologia e no grafo de conhecimento. O projeto se justifica ao contribuir para práticas biblioteconômicas mais críticas e alinhadas às demandas contemporâneas de gestão do conhecimento, especialmente no enfrentamento de vieses na representação da informação. O trabalho será desenvolvido articulando fundamentos teóricos da Organização do Conhecimento com aplicações práticas de inteligência artificial, configurando uma prova de conceito.
3 - ESQUEMA DE PROMPTS EPISTÊMICOS PLURAIS (PEPS) PARA ECOSSISTEMAS DE ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO MEDIADOS POR IA: Framework baseado no princípio indígena de Two-Eyed Seeing
Descrição: Este projeto propõe o desenvolvimento de um Framework Epistêmico Plural para KOEs mediado por IA, inspirado no princípio indígena do Two-Eyed Seeing, que defende a coexistência de distintos sistemas de conhecimento sem redução hierárquica. O objetivo é operacionalizar o pluralismo epistêmico por meio da elaboração de três produtos: (i) esquemas estruturados de prompt (Plural Epistemic Prompt Schema PEPS); (ii) protocolos; (iii) e diretrizes para a integração de LLMs em ambientes de organização do conhecimento sob uma perspectiva pluralista e decolonial, ambos voltados para a integração responsável de LLMs em ambientes de organização do conhecimento. Os protocolos, neste caso, são entendidos como um conjunto estruturado de critérios e procedimentos para comparar resultados de LLMs sob diferentes perspectivas de enquadramento epistêmico. Com isso espera-se ter regras explícitas e replicáveis para comparar como diferentes estratégias de prompt moldam os resultados apresentados pela IA..
4 - PRINCÍPIOS TEÓRICOS E METODOLÓGICOS APLICÁVEIS À ELABORAÇÃO DE MODELOS DE DOMÍNIOS DE CONHECIMENTO: perspectivas ontológicas e epistemológicas
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Modelos de domínios de conhecimento são úteis para diversos fins, que vão desde o auxílio para lidar com a complexidade na compreensão do conhecimento existente no domínio, passando pelo controle terminológico para a recuperação de informação (ou dados) associada, até usos mais sofisticados como a descoberta de conhecimento.
Entretanto, muitos desses modelos são construídos de forma ad hoc, muitos sem uso consciente de aportes teóricos e perspectivas ontológicas e epistemológicas que os embasam, levando a representações ambíguas e imprecisas da realidade. Para que tais modelos sejam mais próximos daquilo que se pretende que eles representem, é importante que seus elementos sejam definidos sem ambiguidade, com precisão e aderência ao entendimento consensual que se estabelece dentro do contexto em que o domínio se insere. Em outras palavras, é preciso que o modelo reflita em sua conceituação o compromisso ontológico estabelecido na comunidade para a qual o modelo é voltado, de acordo com o uso que dele é esperado, e com as perspectivas ontológicas e epistemológicas subjacentes.
Existem diferentes aspectos envolvidos na conceituação dos elementos de modelos de domínios de conhecimento, sendo que no presente projeto vamos abordar os seguintes: (i) a influência das perspectivas ontológicas e epistemológicas existentes; (ii) a existência de uma unidade de conhecimento alvo da conceituação no modelo; (iii) os princípios usados para a categorização das unidades de conhecimento; (iv) a forma usada para a definição das unidades de conhecimento; (v) a preocupação ou intenção de ligar o modelo com outros do mesmo domínio ou em domínios afins, o que pode suscitar questões ligadas à interoperabilidade de vocabulários e/ou a adoção de uma perspectiva ecológica da informação, onde nesta se pressupõe a existência de diferentes pontos de vista sem que um se sobreponha sobre o outro; (vi) A utilização das diferentes tecnologias de representar e implementar os modelos.
Neste contexto, este projeto tem como objetivo investigar aportes teóricos e metodológicos que apoiem a modelagem de domínios de conhecimento sob as seguintes premissas: (i) os modelos refletem em primeiro lugar os pressupostos ontológicos e epistemológicos da comunidade ou comunidades envolvidas em sua elaboração; (ii) os princípios de categorização em alto nível (uso de meta-categorias) usados para respaldar o modelo são fundamentais para a sua precisão e devem, por sua vez, estar amparados em princípios teóricos que explicitam o uso de tais categorias; (iii) a definição dos elementos do domínio deve estar amparada em princípios teóricos coerentes com as meta-categorias e com os pressupostos ontológicos e epistemológicos adotados; (iv) quando o modelo servir como objeto comum de interesse entre mais de uma comunidade, os pontos de vista de cada comunidade devem ser respeitado, sem que se force a prevalência de um ponto de vista sobre o outro, ou seja, defende-se, nestes casos, uma perspectiva ecológica da informação.
No âmbito dos modelos estudados, consideramos como foco do projeto as taxonomias, tesauros e ontologias, mas também esquemas de metadados que podem ser usados para compor ontologias de domínio. Em relação às áreas de conhecimento onde se darão os estudos teóricos, destacamos a Ciência da Informação, a Ciência da Computação, a Terminologia e a Filosofia.
Para tanto, propomos dois tipos de estudos: o primeiro de caráter téorico/metodológico em que serão investigados diferentes aspectos envolvidos na conceituação dos elementos de modelo de domínios de conhecimento, conforme exposto anteriormente, e o segundo, de caráter aplicado, onde se pretende, a título de prova de conceito, explorar como esses aportes teórico-metodológicos se materializam (de acordo com o uso esperado do modelo) em domínios únicos onde existe uma convergência em relação ao compromisso ontológico e em mais de um domínio onde existem comunidades de prática interagindo para atingir objetivos comuns, porém com diferentes pontos de vista em relação aos objetos alvo da interação.
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PUBLICAÇÕES SELECIONADAS
- Campos, L.M. Impactos de elementos usados no nível de metamodelo na representação de SOC. Informação & Informação, 2025. DOI: 10.5433/1981-8920.2025v30n4p307.
- D'Almeida, N.G.S.B.; Campos, L.M. Impactos do colonialismo na organização do conhecimento: um estudo sobre a cosmovisão de cultivo e uso da mandioca pelos Ashaninkas. XXV ENCONTRO NACIONAL DE PESQUISA EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO - XXV ENANCIB. Anais, 2025. Prêmio de melhor trabalho completo do GT2.
- Campos, L.M.; Rondinelli, R.C.; Campos, M.L.A. O suporte do documento arquivístico digital: uma proposta de definição conceitual apoiada nos princípios da teoria do conceito e da ontologia formal. Acervo. v. 35 n. 2. Dossiê temático: Organização do conhecimento em arquivos, 2022.
- Campos, L.M. Questões epistemológicas e ontológicas na conceituação em taxonomias como objetos de fronteira. In: Epistemologia da organização do conhecimento. Rosali Fernandez de Souza, Luana Sales, Gustavo Saldanha, Orgs. IBICT, 2021.
- Campos, L.M. Classificação de objetos de fronteira na organização do conhecimento e o papel das ontologias.Liinc Em Revista, v.14, n.2, 2018. https://doi.org/10.18617/liinc.v14i2.4314
- Campos, L,M.; Campos, M.L.A. Personalidade e matéria na Teoria da Classificação Facetada: a questão do contexto, pressupostos teóricos e metodológicos. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, v. 7, n. 2, 2014
- Campos, L,M.; Campos, M.L.A. Aplicação de dados interligados abertos apoiada por ontologia. Tendências da Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação, v. 7, n. 2, 2014
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